Análise da Imagem: David Fokos

David Fokos, Balanced Stones

por: Frederico Lopes

David fotografa paisagens desertas, desabitadas e grandiosas, mas que sempre, de alguma maneira, deixam entrever o vestígio da passagem intervencionista do ser humano. 

A fotografia “Canal”, é fato uma imagem extremamente interessante de se analisar, e também, é claro, muito se assemelha a diversas propostas de arte contemporânea que muito me agradam, em especial o trabalho do artista Richard Long, cuja imagem tomei a liberdade de anexar ao fim do trabalho. 

David Fotos: The Canal

A fotografia como de praxi no trabalho do artista é mais uma paisagem grandiosa e misteriosa, que deixa uma sensação quase nostálgica de que um dia, este local foi habitado. Talvez habitado não seja a melhor maneira de descrever o local ao qual a imagem se refere, mas sim, transitado, interferido.  O canal é uma linha reta que divide a imagem ao meio na parte inferior e uma espessa nevoa que cobre a linha de arvores no horizonte, divide também ao meio a imagem na horizontal, disposição esta, que, composicionalmente, guia a entrada de nossa leitura para o centro da imagem. 

Devido à linearidade do canal podemos de fato nos perguntar se este pequeno caminho sugerido pela fissura no solo é obra de uma intervenção humana, ou do acaso perfeccionista inerente à natureza. A escolha por isentar a fotografia de cores amplifica o “silêncio” da imagem que consideravelmente exprime a sensação de que algo, ou alguma coisa, aconteceu ali, independentemente da maneira pela qual o canal foi concebido. 

Esta sensação estranha de lugar como espaço ocupado (neste caso ocupado pela existência, no sentido de existir do Homem), é caracterizada pelo artista Robert Smithson como “Dialética do lugar”, que compreende, segundo o artista, a unidade dual da fisicalidade do mundo e sua espiritualidade implícita, constituída pela experiência do sujeito no mundo. Sendo assim, ao depararmo-nos com a fotografia de Fokos, é valido afirmar também que o canal representa uma divisão semântica que gera um campo de convergência formado pela bipolaridade: mente e matéria, arte e realidade. 

ENGLAND 1967

Referências:

BARTHES, Roland. A câmara clara. 3ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. 

CAUQUELIN, Anne. Arte contemporânea: uma introdução. 

JUNQUEIRA, Fernanda. Sobre o conceito de instalação. Gávea, 14 de setembro de 1996. 

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