Mulheres em Suas Cenas

Noite escura e silenciosa. A mulher número 1 atravessa a rua rapidamente. Direita, esquerda, direita, esquerda. Um pé depois do outro, como se não tivesse mais tempo a perder. Como se a vida fosse curta e cada segundo valioso. Olhar para ela era como se o presente virasse passado e o futuro presente. Direta, esquerda, direita, esquerda….

Enquanto isso, a mulher numero 2 caminhava na direção contrária, com um andar meio arrastado. Calma. Direita e então esquerda. Um passo de cada vez, no seu próprio tempo, como se os segundos devessem ser aproveitados em sua essência. Para ela o futuro deveria ser uma ilusão distante e o presente uma dadiva do agora.

A disparidade daquelas duas pessoas me fez observar. Pensar. Refletir. Me fez querer olhar com mais atenção para cada uma delas. Me fez desejar saber quais eram as transversalidades que atravessavam cada sujeito envolvido na cena. Por que uma corria? Por que a outra não? Por que uma arrastava a perna? Naquele momento, eu queria ter o poder de ver e entender os contextos existentes em cada cena. Naquele momento, naqueles 10 ou 15 segundos, queria ser uma entendedora e não uma julgadora.

Em vez disso eu só aguardava no carro. Aguardava, enquanto o sinal vermelho dava passagem ao meu pensamento e a escuridão acolhia as minhas dúvidas. E então, logo que a luz verde acendeu, uma pergunta ficou na minha cabeça: quem na rua eu seria, a mulher 1 ou a mulher 2?


Luisa Biondo é redatora, mas ama desenhar e fotografar. Atualmente trabalha em uma agência de marketing e nas horas vagas faz uns rabiscos que ficam guardados na gaveta.


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