De Oppresso Libre #3: Terra Batida

(Abordar o retorno a liberdade ou egresso. Nada é igual. pois o caminho já foi utilizado e sofrido por nós todos).

Terra batida não é boa, nem tão fértil quanto era antes de todos os caminhantes com suas bagagens e aparatos passarem por ali.

Não existe uma fertilidade natural na vida do egresso.

Quando estamos na jornada, o caminho tende a ser “imaculado” uma terra receptiva a diversas situações, e a diversas sementes.

Não existe a facilidade, e, na dificuldade do pioneirismo, existe sobra, existe resto, existe terra ácida, seca, prensada e sem espaços para a oportunidade de uma crescimento das sementes.

Se havia uma casa no caminho ou algumas árvores, hoje não se tem sombra de nada, a não ser a sombra do concreto, a devastação da máquina que absorve todos os nutrientes, e não poupa ninguém.

Me lembrei do filme MÁQUINAS MORTAIS, onde as cidades se devoram em busca de resquícios de recursos para a sobrevivência.

A trilha de destroços e de destruição é o rastro perfeito pra entender que quando nos tornamos refém de um sistema, não temos escapatória, saímos marcados e seguimos manchados até o fim.

Empréstimos são negados ao egresso, cargos públicos, e, cargos mais “poderosos” em empresas, não são cedidos ao egresso.

Tá ali, manchado para sempre.

Não para por aí: a vida do detento é refém da boa vontade de seus “senhores”. Seu direito a educação é definido pelo critério de afinidade do “santo” de quem o vigia.

A terra é batida.

O progresso exagerado exige a mão de obra barata e sem criatividade, sem identidade.

Na verdade com uma identidade de coisa, de máquina, de objeto, engrenagem. Nada mais que isso.

Não existe brecha para a criação e o livre pensar, você só pode ser aquilo que aparecer para você.

Eu conheci detentos, que não sabem ler ainda, mesmo com seus 50 anos, ainda conheci novos, que são analfabetos funcionais, e a indagação é forte. 

O que os aguarda na liberdade, é liberdade? Acaso nós que estamos do lado de fora, também desfrutamos de liberdade? No final, me parece que vivemos um cárcere eterno, só que em pavilhões e status diferentes.


Kariston França é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.


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