A Janela

As vezes, pela manhã, os pássaros cantam. 

As vezes, pela manhã, a corrente de ar fresca e faz a gente se sentir mais vivo.

As vezes, pela manhã, as árvores parecem mais verdes e felizes. Alegres. Contentes. – Verde é a cor da esperança, né?

As vezes, pela manhã, o sol aparece logo cedo.

As vezes, pela manhã, o dia parece ser uma pessoa jovem que recém fez 20 anos e tem toda a vida pela frente.

Mas sempre, pela manhã, eu olho pela janela do meu trabalho. 

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer quando chego, estou entediada ou sem criatividade é olhar pela janela que fica ao meu lado. A janela está sempre limpa e eu não tenho nenhum pudor em olhar para fora e observar a vida. Menos de dois metros me separam do vidro. Mas muitos metros e 3 andares de altura me separam da vida lá fora. 

Eu gosto de ver os carros andando e as poucas pessoas caminhando. Eu gosto de observar, principalmente, como as árvores se comportam quando o vento bate nelas. Cada uma respeitando o espaço uma da outra em uma dança única, integrada, que faz todo o sentido na minha cabeça. Eu gosto, também, de olhar o reflexo que as luzes daqui de dentro (da agência) fazem no vidro, parecendo grandes portais que se abrem no céu lá de fora. E eu gosto de imaginar que essas luzes são portais, porque me faz bem acreditar que existem outras vidas, outros mundos e outras realidades para além dessa. Eu gosto de olhar pela janela e perceber como eu sou capaz de pensar em inúmeras coisas em poucos segundos. Quando eu olho pela janela eu vivo muito em pouco tempo.

Nos dias mais ensolarado, aqui dentro (da agência) fica quente. Nos dias mais bonitos somos obrigados a fechar as janelas e ligar o ar condicionado.

Nada de luz ambiente. Nada de corrente de ar. Nada de carros correndo ou pessoas caminhando. Nada de árvores dançando. Nada de portais saindo do céu. Apenas luzes e o ar condicionado ligado.  Nesses dias, tudo o que eu vejo é uma cortina preta, daquelas que impedem toda e qualquer luz de entrar. E, sabe… Não tem o que fazer, a não ser olhar para a tela do computador e voltar a trabalhar.


Luisa Biondo é redatora, mas ama desenhar e fotografar. Atualmente trabalha em uma agência de marketing e nas horas vagas faz uns rabiscos que ficam guardados na gaveta.


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