Quando as luzes se apagam

Nenhuma luz. Nenhuma estrela. Nenhuma lua. O vento batia, mas de dentro da sala nada se ouvia. Dizem que quando as luzes apagam, as lembranças aparecem. Bom, Perséfone já havia me ensinado na noite anterior que a escuridão, o breu e o submundo têm muito a nos ensinar. É ali que crescemos e amadurecemos. Mas isso não vem ao caso.

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No meio da escuridão, contra as velas espalhadas pela sala, sombras de mosquitos e mariposas dançavam pela parede e prendiam a atenção do meu cachorro. Sem perceber o que acontecia ao meu redor, eu distribuía a minha atenção entre a telinha do meu celular e a ansiedade de não usar toda a bateria do pequeno aparelho. Sem perceber, aquela dança na parede conduziu-me até um passado distante, de quando eu era criança, e a falta de luz dava espaço para um espetacular teatro feito com as mãos.

Não importava a história, mas os desenhos que podiam ser projetados na parede. Não importava se era noite ou se tudo estava escuro, aquele era o clima ideal para a mágica acontecer. Lembro das sombras, das lanternas, das velas, da imaginação e das risadas. Lembro do meu pai, que há mais de um ano seguiu o caminho da luz, visitou o reino de Perséfone – destino de todas as almas – e, hoje, virou energia. Naquela época tudo estava bem, apesar da queda de luz.

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Luisa Biondo é redatora, mas ama desenhar e fotografar. Atualmente trabalha em uma agência de marketing e nas horas vagas faz uns rabiscos que ficam guardados na gaveta.


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